Localizada na freguesia de São João de Negrilhos, Aljustrel, a Associação de Beneficiários do Roxo (AB Roxo) é a entidade responsável pela gestão do aproveitamento hidroagrícola do Roxo. Este aproveitamento, em exploração desde 1968, com origem na barragem do Roxo, iniciou-se com uma área beneficiada de 5081 hectares (1ª fase), como parte integrante do plano de rega do Alentejo.

Com a efetivação da ligação do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva à Albufeira do Roxo, em 2010, foram criadas as condições para proceder à concretização da segunda fase do perímetro de rega do Roxo, perfazendo atualmente a área regada de cerca de 8.240 hectares. A este respeito foram criadas novas áreas de regadio, o Bloco de rega de Aljustrel construído pela EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva) e entregue à gestão da AB Roxo e o bloco de Roxo-Sado, este ainda sob gestão da EDIA.

O primeiro reforço de água proveniente de Alqueva ocorreu em 2016, tendo-se realizado a cerimónia de inauguração, desta ligação hidráulica, a qual contou com a presença do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e do Comissário Europeu da Agricultura Phil Hogan. Atualmente a distribuição de água é feita através de sistemas gravíticos, que dominam uma área de 4.800 hectares, e de sistemas de pressão com uma área de 2.500 hectares. Em consequência do investimento efetuado na modernização da infra-estrutura de distribuição de água, a AB Roxo apresenta um grau de eficiência na distribuição de água superior a 90 por cento. A adoção das tecnologias mais recentes na gestão de sistemas hidráulicos aumentou o potencial de gestão da estrutura produtiva da AB Roxo, pelo que se torna evidente a necessidade de incorporar na sua gestão mais área regada, bloco de rega Roxo-Sado (Rio de Moinhos), no sentido de obtenção de economias de escala que assegurem a autossustentabilidade da atividade agrícola de regadio na região do baixo Alentejo.

Mas a AB Roxo não se limita ao fornecimento de água, preocupada com a viabilidade da agricultura de regadio, tem promovido o aparecimento de novas produções agrícolas, amêndoa, figo, romã, citrinos, pêra rocha, por forma a aumentar o leque de culturas alternativas às tradicionais como o milho, arroz, tomate. Neste contexto têm fomentado e apoiado a criação de empresas, nomeadamente a Campos do Roxo, com o objetivo de criar sinergias com a concentração da produção através da criação de organização de produtores, que permitam efetuar o escoamento das produções a preços justos para os produtores.

Num processo mais adiantado está a criação da Organização de Produtores de frutos de casca rija, visando a criação de uma unidade industrial de receção e transformação da amêndoa, que é a cultura que mais tem aumentado a sua área, além do Olival. Atualmente com uma área de cerca de 600 hectares implantados no perímetro de Rega do Roxo, a cultura da amêndoa está em expansão juntamente com a do Figo e da Romã. Além do projeto citado, a AB Roxo está a promover outras duas áreas de intervenção para a constituição de unidades industriais de transformação e comercialização relacionadas com o azeite e com as hortícolas e frutícolas com o intuito de criação de um parque agro-tecnologico do Roxo.

Enquadrada na estratégia de criação de condições de sustentabilidade a AB Roxo está a preparar um largo investimento em energias renováveis, com a criação de uma mini-hídrica na barragem do Roxo e a construção de uma estação fotovoltaica para produção de energia elétrica para autoconsumo, reduzindo assim de forma substancial o peso desta componente na composição anual de custos, aumentando assim a rentabilidade da sua atividade.

Por último e demostrativo da dinâmica da AB Roxo foi a criação, em 2016, do SIAR (Sistema Integrado de Apoio ao Regante) como forma de transmissão de tecnologia para os agricultores e assim aumentar a eficiência no uso da água ao nível adas explorações agrícolas. O futuro da agricultura do Alentejo acontece no Aproveitamento Hidroagrícola do Roxo.

revista "Portugal em Destaque"