A seca que está a afectar o Baixo Alentejo não coloca, para já, condicionantes ao regadio na zona de influência do Roxo. A barragem situada no concelho de Aljustrel estava no dia 10 de Maio de 2017, a menos de 20% da sua capacidade máxima, que é de 96.311.600 m3, mas o presidente da Associação de beneficiários do Roxo (ABR), que gere o empreendimento garante que não faltará água nos campos.

“Não há esse risco porque estamos a fazer adução [de água] de Alqueva. É por isso que o armazenamento está mais alto, senão tínhamos a barragem neste momento a zero”, afiança ao “CA” António Parreira.

Apesar do Roxo estar a receber água do Alqueva para fazer face à falta de chuva, esta operação não está a ter implicações no preço final da água cobrado pela ABR aos agricultores. Em Assembleia Geral a associação aprovou assumir parte desses custos durante este ano, situação que, se mantiver a seca, dificilmente se repetirá no ano seguinte.

“A ABR assumiu este ano parte desses custos, mas não o poderá fazer nos anos seguintes. Porque não tem sustentabilidade financeira para o fazer! E este ano fizemo-lo porque temos uma série de situações que estamos a discutir, nomeadamente em relação ao preço da água do Alqueva e ao abastecimento público”, explica António Parreira.

O presidente da ABR aproveita a oportunidade para elogiar a decisão do governo de diminuir o preço da água do Alqueva. Mas sublinha que a medida, no que toca às associações de regantes, cria “uma situação de distorção”. “Nas associações de regantes vamos pagar a água a três cêntimos e se imputarmos esse custo [aos agricultores], vamos ter um preço muito mais elevado que os agricultores beneficiados pelos perímetros da EDIA. A nossa água será mais cara”.

A situação já foi exposta ao Ministério da Agricultura e António Parreira acredita que tudo será ultrapassado. “Esperamos que isto se possa resolver. E que quer os agricultores dentro do Alqueva, quer os agricultores fora do Alqueva possam ter os mesmos preços [de água]. Para não criar situações de agricultores de primeira e agricultores de segunda” adverte.

Noticia "Correio Alentejo"